O Huawei Mate XT 2 acaba de ser apresentado na China e muda a forma como eu penso sobre celulares dobráveis. Depois de anos vendo trifolds tratados como curiosidade de vitrine, a Huawei lançou em 7 de setembro um aparelho que parece, finalmente, pensado para uso diário — e não só para impressionar em vídeo de unboxing.

Testei de perto o histórico da linha Mate XT e o que salta aos olhos nesta segunda geração é a mudança estrutural: a Huawei abandonou a dobra em sanfona do modelo original e adotou uma estrutura em Z, na qual as duas pontas se dobram para dentro, em direção ao centro. É o mesmo raciocínio de dobra que a Samsung usa no Galaxy Z TriFold, só que a Huawei chegou depois — e, aparentemente, aprendeu com os erros alheios.
Uma tela grande, uma tela de bolso, e uma novidade discreta
Aberto por completo, o Mate XT 2 revela uma tela interna de 10,2 polegadas em OLED, com resolução de 2232 × 3148 pixels e taxa de atualização variável de 1 a 90 Hz — suficiente para ler, assistir vídeo ou rodar dois aplicativos lado a lado sem sensação de tela pequena. Fechado, ele se comporta como um smartphone comum, com uma tela externa de 6,5 polegadas, taxa de até 120 Hz e proteção em vidro Kunlun, a fórmula de resistência que a Huawei vem reforçando modelo após modelo.
A novidade que mais me chamou atenção não é o tamanho da tela, e sim um recurso de privacidade: o aparelho consegue estreitar o ângulo de visão da tela sob demanda, dificultando que alguém ao lado veja o que está sendo exibido. É basicamente um filtro de privacidade físico virando função de software — e, de novo, um recurso que a Samsung introduziu recentemente em sua própria linha dobrável. A disputa entre as duas fabricantes por esse tipo de refinamento é um dos motivos pelos quais os dobráveis pararam de ser apenas uma prova de conceito e passaram a competir em detalhes de uso real.
Câmera, processador e uma bateria que aguenta o tamanho do aparelho
No conjunto de câmeras, o Mate XT 2 traz uma câmera principal de 50 MP com sensor de 1/1,28 polegada — maior que o dos modelos anteriores da linha — e abertura variável entre f/1.49 e f/4.0, o que ajuda tanto em cenas bem iluminadas quanto em ambientes escuros. Completam o conjunto uma ultra-angular de 40 MP e uma teleobjetiva periscópica de 50 MP, capaz de zoom óptico de 3,5x, zoom sem perdas de 7x e zoom digital de até 100x. Há ainda um sensor de cor dedicado, batizado de Red Maple em sua terceira geração, e suporte a gravação de vídeo em 4K.
Por baixo do capô, o aparelho estreia o processador Kirin 9050 Pro, acompanhado de 16 GB de RAM e 1 TB de armazenamento na configuração testada. A bateria é de 5.600 mAh, com carregamento com fio de 66 W e sem fio de 50 W — números relevantes para um aparelho que precisa alimentar duas telas OLED ao mesmo tempo. O sistema operacional é o HarmonyOS 7.0, e a conectividade inclui Wi-Fi 7, Bluetooth 6.0, NFC, dual SIM e suporte ao sistema de satélites BeiDou, recurso que a Huawei mantém como diferencial em mercados onde a cobertura de rede tradicional falha.
Um preço mais baixo — mas só na China, por enquanto
O Huawei Mate XT 2 chega ao mercado chinês por 19.999 yuans, o equivalente a algo perto de R$ 15.275 em conversão direta, sem considerar impostos de importação. É um valor sensivelmente menor que o do Mate XT original, que custou R$ 32.999 quando chegou ao Brasil por canais alternativos — o que sugere que a Huawei está tentando tornar a categoria trifold menos artigo de luxo raríssimo e mais produto de fato competitivo. Até o momento, a empresa não anunciou lançamento global, e não há data prevista para uma chegada oficial ao Brasil.
Vale lembrar que aparelhos assim continuam sendo, na prática, uma vitrine tecnológica: poucas unidades são vendidas em comparação a um smartphone convencional, mas cada geração empurra soluções — dobradiças mais duráveis, telas mais resistentes a vincos, softwares que se adaptam a diferentes formatos — que acabam, com o tempo, migrando para os aparelhos que todo mundo usa. Foi assim com a própria tela dobrável simples anos atrás, e é provável que seja assim de novo com os trifolds. Os detalhes técnicos completos do lançamento foram publicados originalmente pelo Tecnoblog, que acompanhou o anúncio na China.
Se você já usa um smartphone com processamento suficiente para tarefas que antes exigiam computadores robustos, vale notar que a evolução não para nos formatos de tela: eu já escrevi sobre como o celular no seu bolso tem mais poder de processamento do que a NASA usou para ir à Lua, e aparelhos como o Mate XT 2 mostram que esse salto de capacidade continua acontecendo, só que agora dividido entre múltiplas telas dobráveis.
Perguntas frequentes
O Huawei Mate XT 2 já está disponível no Brasil?
Não. Por enquanto o lançamento é exclusivo para o mercado chinês, sem data anunciada para uma versão global ou oficial no Brasil.
Qual a principal diferença entre o Mate XT 2 e o Mate XT original?
A mudança mais visível é o tipo de dobra: o modelo original usava uma dobra em sanfona, enquanto o Mate XT 2 adota uma estrutura em Z, com as pontas dobrando para dentro. O novo modelo também é mais barato no mercado chinês e ganhou o modo de privacidade na tela.
O que é o modo de privacidade do Mate XT 2?
É um recurso que estreita o ângulo de visão da tela, dificultando que outras pessoas ao lado consigam ver o conteúdo exibido — uma função semelhante à que a Samsung introduziu em seus dobráveis recentes.

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