Foguete da SpaceX decolando durante o dia, tecnologia usada também no Tesla Roadster
Curiosidades

carro voador da Tesla usa tecnologia da SpaceX

20/10/2026 1 views 6 min de leitura

Acompanho de perto as novidades que misturam carros elétricos e espaço, e a apresentação que a Tesla fez em 15 de outubro, nas instalações da SpaceX, no Texas, chamou minha atenção justamente por isso. A empresa revelou a nova geração do Roadster, seu esportivo elétrico, equipada com propulsores que tiram o carro do chão e permitem manobras no ar. O resultado parece cena de filme, mas foi gravado em testes reais, diante de jornalistas e convidados.

Foguete da SpaceX decolando durante o dia, tecnologia usada também no Tesla Roadster
Photo by SpaceX on Unsplash

O que a Tesla mostrou

Nos vídeos divulgados pela empresa, um protótipo do Roadster sobe por uma rampa curva, fica de cabeça para baixo, gira no ar e volta a pousar sobre as quatro rodas. Em outra demonstração, o carro salta sobre uma fileira de outros modelos da marca estacionados lado a lado e gira enquanto está suspenso, antes de tocar o solo novamente. A Tesla afirma que, em um dos testes de aceleração em solo, o carro saiu do zero e chegou a 97 km/h (60 mph) em 0,8 segundo, um número digno de carro de corrida, sem nem considerar os propulsores, segundo relato do Tecnoblog sobre a apresentação.

A tecnologia por trás das acrobacias

Explico a parte técnica: o Roadster usa um conjunto de ventiladores e um sistema de vedação que retira o ar de sob a carroceria. Esse vácuo parcial aumenta a força que prende o carro ao asfalto, o que ajuda a mantê-lo estável mesmo parado e de cabeça para baixo. Para sair do chão, entram em ação propulsores que usam ar comprimido em alta pressão e tecnologia desenvolvida junto com a SpaceX, não combustível de foguete líquido como em um lançador espacial. Atuadores elétricos ajustam o empuxo desses propulsores de gás frio em frações de segundo, o que dá ao carro a capacidade de se equilibrar enquanto está suspenso no ar. A Tesla não informou por quanto tempo o carro consegue ficar suspenso, nem qual é o alcance desses saltos.

Esse tipo de propulsor de gás frio não é exclusividade do Roadster. A mesma família de sistema é usada há décadas em satélites e em naves espaciais para pequenos ajustes de posição, já que oferece empuxo controlado sem o risco e o peso extra de um combustível líquido inflamável. A diferença, aqui, é a escala: adaptar esse princípio para erguer e equilibrar um carro de rua, com mais de uma tonelada, é um desafio de engenharia bem distante de corrigir a rota de um satélite em órbita.

Três versões, do asfalto ao convite

A nova geração do Roadster chega em três configurações. A versão Performance tem dois lugares, aerodinâmica ativa e o sistema de sucção que mantém o carro colado ao solo, sem os propulsores voadores. A versão Thrust soma a isso propulsores traseiros de gás frio e promete sair do zero a 97 km/h em menos de um segundo, usada apenas para acelerar, não para voar. Já a versão Rocket, com lugar só para o motorista, é a que carrega o pacote completo de propulsores, capazes de empurrar o carro para frente, para cima e de girá-lo lateralmente no ar. Essa versão não é aprovada para rodar em vias públicas e, segundo a Tesla, será vendida por convite, com disponibilidade variando de região para região.

Um projeto com dez anos de atraso

Vale lembrar que esse Roadster não é exatamente novo: a Tesla apresentou a primeira versão do carro em 2017, com promessa de lançamento em 2020. O projeto foi adiado várias vezes desde então, e Elon Musk agora fala em início de produção em 2028, oito anos depois da primeira promessa. A empresa também não revelou os preços finais de nenhuma das três versões, nem confirmou se o carro chegará a outros países fora dos Estados Unidos.

Do lado de dentro, o carro ganhou um volante tipo yoke, sem o aro circular tradicional, acompanhado de uma tela central e dois mostradores menores posicionados diante do motorista, um desenho que já apareceu em outros modelos recentes da marca.

Pelo mundo, outras empresas também testam veículos capazes de sair do asfalto, a maioria apoiada em hélices e rotores, no estilo dos eVTOLs usados em projetos de mobilidade urbana. O caminho escolhido pela Tesla é diferente: em vez de hélices, aposta nos propulsores de gás frio herdados da SpaceX, o que explica por que o carro não “voa” de verdade no sentido de percorrer distâncias no ar, mas sim executa saltos e giros controlados, mais perto de uma acrobacia pontual do que de um deslocamento aéreo contínuo.

A escolha da SpaceX como parceira de tecnologia não é só uma jogada de marketing. A empresa de Musk acumulou anos de experiência em pousos verticais de foguetes e em sistemas de propulsão de precisão, usados até em missões como a Artemis 2, que pretende levar astronautas de volta à órbita lunar depois de mais de cinco décadas. Transportar parte desse conhecimento de atuadores e controle de empuxo para um carro de rua, mesmo um carro que por ora só roda em pista fechada, mostra como as duas empresas de Musk compartilham engenharia, apesar de atuarem em setores tão diferentes.

Ainda não sei se vou ver um Roadster fazendo piruetas no trânsito da minha cidade algum dia, mas acompanho com curiosidade cada novo teste que a Tesla divulga, sobretudo porque o projeto já mudou de prazo tantas vezes que qualquer avanço concreto, como esta demonstração em vídeo, vale ser registrado.

O carro voador da Tesla já está à venda?

Não. A Tesla apresentou apenas protótipos em testes controlados, em 15 de outubro de 2026, nas instalações da SpaceX no Texas. A empresa fala em início de produção a partir de 2028 e não informou preços nem data oficial de venda.

O Roadster Rocket pode ser usado em vias públicas?

Não. Segundo a Tesla, a versão Rocket, equipada com os propulsores completos, não é aprovada para rodar em ruas e estradas. A venda dessa versão será feita por convite, com disponibilidade variando por região.

Como o carro consegue ficar no ar?

Um conjunto de propulsores de gás frio, desenvolvidos com tecnologia da SpaceX, empurra o carro para cima e para os lados, enquanto atuadores elétricos ajustam o empuxo em frações de segundo para manter o equilíbrio. Um sistema de ventiladores e vedação sob a carroceria ajuda a estabilizar o carro quando ele está no solo, inclusive de cabeça para baixo.

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