Acompanho lançamentos de áudio pessoal com certa regularidade, e raramente um fabricante grande decide abandonar a fórmula que já funciona. O Galaxy Buds On, anunciado pela Samsung em 1º de outubro de 2026, é um desses casos raros. Em vez de refinar o encaixe intra-auricular que dominou o mercado desde os primeiros AirPods, a empresa criou um fone que se recusa a entrar no ouvido.

O formato é o que mais chama atenção. O Galaxy Buds On se prende à borda externa da orelha, com uma haste flexível que distribui o peso do aparelho sem concentrar pressão em um único ponto. O resultado visual lembra um piercing ou um brinco, e não por acaso a imprensa especializada já batizou o design de “fone-brinco”. O driver de som fica posicionado próximo à entrada do canal auditivo, mas sem bloqueá-lo, permitindo que o som ambiente continue passando livremente.
Essa escolha de design não é estética gratuita. Segundo a própria Samsung, o Galaxy Buds On foi pensado para um público específico: pessoas que sentem desconforto físico com os fones tradicionais depois de algumas horas de uso, ou que simplesmente não abrem mão de ouvir o que acontece ao redor. É o caso de ciclistas, de corredores em vias urbanas, de quem trabalha em home office dividido com outras pessoas, ou de qualquer um que já perdeu um chamado importante por estar com os dois ouvidos completamente tampados.
O que tem dentro do fone-brinco
Por trás do formato inusitado, a ficha técnica é bem equipada. O Galaxy Buds On roda sobre a plataforma de som Snapdragon S7 Gen 1, com autonomia de até 9,5 horas de reprodução contínua por carga. O número é relevante justamente porque o desenho aberto tende a gastar mais energia para manter o volume audível em ambientes ruidosos. O case de recarga segue o mesmo desenho já visto nos Galaxy Buds 4.
Para compensar a ausência do selo físico no canal auditivo, a Samsung apostou em um conjunto chamado TwinBoost, que reforça eletronicamente os graves, e em um sistema de redução de vazamento de áudio para evitar que quem está ao lado escute a música. Nas chamadas, três microfones somados a um sensor de vibração alimentam o recurso Intelligent Clear Call, que usa aprendizado de máquina para isolar a voz do usuário do ruído de fundo, um problema comum em qualquer fone que não sela o ouvido.
A interação também muda. Além do toque leve na parte externa do fone, o Galaxy Buds On reconhece gestos de cabeça para atender ou recusar ligações e para desligar alarmes, sem precisar tocar no aparelho. A Samsung também integrou o Gemini Live diretamente ao fone, além de busca por voz via Bixby e um atalho para gravar memorandos de voz rapidamente. São funções que fazem mais sentido em um fone pensado para ficar o dia inteiro na orelha, já que o usuário não precisa removê-lo para interagir com o assistente.
Preço, data de chegada e concorrência
Segundo reportagem do Tecnoblog, na Coreia do Sul, onde o produto foi anunciado primeiro, o Galaxy Buds On custa 299.000 wones, algo em torno de R$ 1.150 na conversão direta, com chegada às lojas prevista para 27 de outubro de 2026. A Samsung ainda não divulgou data de lançamento para o Brasil, mas o modelo SM-U600 já passou pela homologação da Anatel, sinal de que o lançamento por aqui é uma questão de tempo e não de intenção.
O Galaxy Buds On não chega a um mercado vazio. A Huawei já vende no Brasil o FreeClip 2, que segue a mesma lógica de fone aberto em formato de clipe de orelha, e a disputa entre as duas fabricantes por esse nicho específico, ainda pequeno mas crescente, tende a se acirrar nos próximos meses. Não é a primeira vez que a indústria de smartphones aposta em reinventar uma categoria inteira ao abandonar a forma mais óbvia de resolver um problema. Cobri recentemente o lançamento do iPhone Duo, primeiro iPhone dobrável da Apple, que seguiu essa mesma lógica de questionar um formato consolidado: o bloco retangular de vidro e metal que definiu os smartphones por quase duas décadas.
Um nicho que estava esperando por um empurrão
Fones abertos não são uma ideia nova. Modelos com condução óssea e designs semi-abertos já existem há anos, geralmente mirando praticantes de esporte. O que o Galaxy Buds On faz de diferente é tratar o conforto no dia a dia, não o desempenho esportivo, como o principal argumento de venda. A Samsung está dizendo, na prática, que existe um público relevante disposto a trocar o isolamento acústico total, hoje tratado como sinônimo de qualidade premium, por mais consciência situacional e menos fadiga auricular.
Se essa aposta vai se pagar é algo que só o mercado vai responder nos próximos meses, conforme o produto chega a mais países e passa pelo teste mais difícil de qualquer fone de ouvido: o uso real, fora da demonstração controlada do lançamento. O fato de a Huawei já ocupar esse espaço no Brasil antes mesmo da chegada oficial do produto da Samsung sugere, porém, que a aposta é menos arriscada do que parece à primeira vista.
Perguntas frequentes
Quando o Galaxy Buds On chega ao Brasil?
A Samsung ainda não anunciou uma data oficial de lançamento no Brasil. O modelo já passou pela homologação da Anatel (SM-U600), o que indica que a chegada ao mercado brasileiro está sendo preparada, mas sem previsão confirmada até a publicação deste texto.
Quanto custa o Galaxy Buds On?
Na Coreia do Sul, onde foi lançado primeiro, o preço é de 299.000 wones, o equivalente a aproximadamente R$ 1.150 na conversão direta. O valor para o mercado brasileiro ainda não foi divulgado e pode variar por conta de impostos e distribuição local.
O Galaxy Buds On tem cancelamento de ruído?
Não da forma tradicional. Como o design é aberto e não sela o canal auditivo, o Galaxy Buds On não oferece cancelamento ativo de ruído como os fones intra-auriculares convencionais. Em compensação, ele usa o sistema Intelligent Clear Call, com três microfones e sensor de vibração, para isolar a voz do usuário durante chamadas.

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