Estátua da Liberdade em Nova York, vista frontal com o céu ao fundo
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estátua da liberdade completa 140 anos de inauguração

28/10/2026 1 views 6 min de leitura
Estátua da Liberdade em Nova York, vista frontal com o céu ao fundo
Photo by AussieActive on Unsplash

A Estátua da Liberdade completa hoje 140 anos de existência. Foi em 28 de outubro de 1886 que o monumento, dado de presente pela França aos Estados Unidos, foi inaugurado na baía de Nova York diante de milhares de pessoas acompanhando a cerimônia a partir de barcos e da própria ilha. Reúno aqui a história da construção, a engenharia por trás da peça e o motivo que fez a estátua mudar de cor ao longo do século seguinte.

A cerimônia de inauguração em 1886

O presidente dos Estados Unidos, Grover Cleveland, presidiu a cerimônia realizada em Bedloe’s Island, ilha hoje conhecida como Liberty Island. Cerca de 20 mil soldados participaram de um desfile organizado para a ocasião, enquanto fogos de artifício acompanhavam o hasteamento conjunto das bandeiras dos Estados Unidos e da França. A peça recebeu o nome oficial de “A Liberdade Iluminando o Mundo” e traz na mão esquerda uma tábua com a data da independência americana, 4 de julho de 1776, gravada em algarismos romanos. A coroa com sete pontas na cabeça representa os sete mares e os sete continentes, reforçando a ideia de um ideal de liberdade com alcance universal, como relembra uma reportagem da Revista Oeste sobre a efeméride.

Um presente diplomático que levou mais de dez anos para ficar pronto

A ideia de erguer o monumento partiu de um grupo de franceses que queria celebrar a aliança entre os dois países durante a guerra de independência americana e, ao mesmo tempo, marcar os ideais republicanos que atravessavam o Atlântico naquele século. O escultor Frédéric Auguste Bartholdi assumiu o projeto e liderou uma campanha de arrecadação na França para custear a construção da estátua. Nos Estados Unidos, o jornalista Joseph Pulitzer usou seu jornal para levantar os recursos destinados ao pedestal, prometendo publicar o nome de cada doador nas páginas do periódico, estratégia que ajudou a mobilizar milhares de contribuições pequenas.

Entre atrasos, dificuldades técnicas e problemas de financiamento, o processo completo levou mais de dez anos. A estátua só chegou aos Estados Unidos em 1885, desmontada em 350 partes acondicionadas em 214 caixotes, depois de uma travessia marítima que durou 27 dias a bordo de um navio da marinha francesa. A montagem na ilha consumiu outros meses de trabalho antes da inauguração oficial no ano seguinte.

A engenharia interna assinada por Gustave Eiffel

Bartholdi cuidou do desenho artístico, mas a parte estrutural ficou nas mãos do engenheiro francês Alexandre Gustave Eiffel, o mesmo nome que anos depois projetaria a torre parisiense que leva seu sobrenome. É curioso notar que outra data redonda deste mesmo mês tem um fio que leva de volta a Paris: já contei por aqui a história dos 120 anos do voo do 14-Bis, quando Santos Dumont decolou no Campo de Bagatelle depois de ter contornado justamente a Torre Eiffel com um de seus dirigíveis.

Para a Estátua da Liberdade, Eiffel projetou um esqueleto interno de ferro que sustenta as placas de cobre da superfície externa, de espessura equivalente à soma de duas moedas empilhadas. Essa estrutura permite que as placas se dilatem e se movam levemente com a variação de temperatura, sem comprometer a integridade do conjunto, algo que poucos engenheiros do século 19 haviam resolvido em peças dessa escala. Com o pedestal, a estátua chega a mais de 90 metros de altura acima do nível do mar, e o conjunto todo pesa cerca de 225 toneladas.

Por que a Estátua da Liberdade é verde

A cor que hoje identifica o monumento não é a original. Quando foi inaugurada, em 1886, a superfície de cobre tinha um tom dourado-avermelhado, parecido com o de uma moeda recém-cunhada, e o próprio Bartholdi esperava que ela escurecesse para um tom de vermelho mais profundo com o tempo. A exposição contínua ao ar, à maresia e à poluição urbana provocou a oxidação gradual do metal, formando uma camada azul-esverdeada conhecida como pátina ou verdete. Em cerca de quinze anos a superfície já havia escurecido, e por volta de 1903 as primeiras manchas verdes começaram a aparecer. Em 1910, segundo registros da época, a estátua estava parcialmente verde e parcialmente na cor de cobre original, e a transição completa só se deu por volta de 1920.

Em 1906, o Congresso americano chegou a destinar 62 mil dólares para repintar a peça, mas o projeto foi abandonado depois de protestos que consideravam a pintura um sacrilégio contra o monumento. A decisão acabou sendo uma vantagem de longo prazo: a pátina funciona como uma camada protetora natural que impede a corrosão mais profunda do cobre, dispensando repinturas que, de outra forma, seriam necessárias a cada 25 anos aproximadamente.

Restauração, simbolismo e o que a estátua representa hoje

Em 1903, uma placa de bronze com o soneto “The New Colossus”, escrito pela poeta Emma Lazarus, foi fixada no pedestal. Os versos finais, que falam de uma lâmpada erguida junto à porta dourada, ajudaram a transformar o monumento no símbolo mais associado à chegada de imigrantes aos Estados Unidos, já que milhões de pessoas avistaram a estátua ao entrar pela baía de Nova York rumo à Ellis Island. Em 1984, a estátua foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco, reconhecimento que antecedeu uma ampla restauração concluída a tempo das celebrações do centenário, em 1986, quando a tocha original foi substituída por uma nova, revestida em folhas de ouro.

Passadas 140 edições do mesmo 28 de outubro, a estátua continua recebendo visitantes todos os anos e é administrada pelo Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos junto com Ellis Island. O conjunto formado pela ilha, o museu de imigração e o próprio monumento segue como um dos pontos mais procurados por quem visita Nova York, reunindo numa só visita a história da construção, a engenharia do século 19 e o papel do local na formação demográfica do país.

Perguntas frequentes

Quem projetou a Estátua da Liberdade?

O escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi assinou o desenho da estátua, enquanto o engenheiro Gustave Eiffel projetou a estrutura interna de ferro que sustenta as placas de cobre da superfície.

Por que a Estátua da Liberdade é verde?

A superfície é feita de cobre, que ao reagir com o ar, a maresia e a poluição urbana forma uma camada de pátina azul-esverdeada. A cor original era dourada-avermelhada, e a transição completa para o verde levou cerca de 35 anos, entre 1886 e 1920.

Quanto tempo levou para construir a Estátua da Liberdade?

O processo levou mais de dez anos entre o início do projeto na França e a inauguração em Nova York, em 28 de outubro de 1886. A peça viajou desmontada em 350 partes dentro de 214 caixotes antes de ser remontada na ilha.

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