Sino de bronze ao ar livre com pombas brancas voando ao fundo, simbolizando o Dia Internacional da Paz
Curiosidades

Dia Internacional da Paz: A História do Sino que Soa em Todo 21 de Setembro

21/09/2026 2 views 6 min de leitura

Todo dia 21 de setembro, o mundo se volta para uma data que tenta, ainda que por 24 horas, colocar a violência em segundo plano: o Dia Internacional da Paz. Neste ano, a efeméride ganha um símbolo que atravessa décadas e fronteiras — um sino de bronze, fundido com moedas e medalhas doadas por chefes de Estado, pelo papa e por crianças de mais de 60 países, que soa na sede das Nações Unidas em Nova York desde 1954. Poucas pessoas sabem, porém, que uma réplica raríssima desse mesmo sino existe no interior de Santa Catarina. É sobre essa história, e sobre o significado mais amplo do Dia Internacional da Paz, que eu quero falar neste texto.

Sino de bronze ao ar livre com pombas brancas voando ao fundo, simbolizando o Dia Internacional da Paz

A origem do Dia Internacional da Paz

O Dia Internacional da Paz foi instituído em 1981 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, com o objetivo de reservar um dia do calendário global dedicado exclusivamente ao fortalecimento dos ideais de paz entre nações e povos. Duas décadas depois, em 2001, a Assembleia votou por unanimidade para transformar a data em um período formal de não violência e cessar-fogo, convocando todos os países e todas as facções em conflito a suspender as hostilidades durante aquele único dia. Na prática, a ONU pede que o 21 de setembro seja observado como uma “Trégua Global”, um gesto simbólico que, em muitos anos, já foi respeitado em zonas de conflito ativo para permitir a entrega de ajuda humanitária.

O tema de 2026: paz construída no dia a dia

A cada edição, a ONU propõe um lema para orientar as campanhas e eventos ao redor do mundo. Em 2026, o tema escolhido foi “Investir na paz – para todos, em todos os lugares, todos os dias”, um convite para que a atenção não recaia apenas sobre acordos diplomáticos e cúpulas internacionais, mas também sobre o que a organização chama de “arquitetos da paz do dia a dia”: pessoas comuns que sustentam a convivência pacífica em suas comunidades. A proposta para este ano inclui ações simples, como organizar rodas de conversa entre vizinhos, apoiar iniciativas locais de mediação de conflitos e usar as redes sociais para compartilhar histórias reais de reconciliação, em vez de discursos abstratos sobre paz mundial.

O sino que ecoa na sede da ONU desde 1954

Um dos símbolos mais duradouros da data fica a poucos metros do prédio da Secretaria-Geral das Nações Unidas, em Nova York. Trata-se do Sino da Paz Japonês, doado em junho de 1954 pela Associação da ONU do Japão, por sugestão do conselheiro Chiyoji Nakagawa. O sino foi fundido a partir de moedas e medalhas enviadas por representantes de Estados-membros, pelo papa e por cidadãos comuns — incluindo crianças — de mais de 60 nações diferentes, em um gesto pensado para transformar objetos de valor pessoal em um único símbolo coletivo. Desde então, ele é tocado apenas duas vezes por ano: no primeiro dia da primavera do hemisfério norte e em 21 de setembro, quando o próprio secretário-geral da ONU realiza a cerimônia de badalar o sino na abertura das celebrações do Dia Internacional da Paz.

Uma réplica rara no interior de Santa Catarina

O que poucos brasileiros sabem é que existem, no mundo todo, apenas três sinos com a mesma origem e o mesmo simbolismo: o de Nova York, um em Hiroshima e um terceiro em Frei Rogério, pequeno município catarinense que recebeu as primeiras famílias de imigrantes japoneses em abril de 1964, formando o que ficou conhecido como Núcleo Celso Ramos. O sino de Frei Rogério é uma peça de bronze com mais de 400 anos de história, encontrada entre os escombros de Nagasaki após o bombardeio atômico de 1945 — e foi justamente por ter sobrevivido à explosão que o governo japonês decidiu doá-lo à cidade brasileira, em reconhecimento aos laços criados pela colônia local. A peça está instalada desde outubro de 2002 em um parque temático que leva seu nome, ao lado de um monumento de 28 metros de altura inspirado no pássaro tsuru, símbolo japonês da paz e da longevidade. Todos os anos, em agosto, o sino é tocado três vezes em memória das vítimas da Segunda Guerra Mundial.

Essa relação entre datas comemorativas globais e curiosidades pouco conhecidas do território brasileiro é algo que já explorei por aqui antes, como fiz ao contar a história por trás do Dia Internacional da Camada de Ozônio, outra efeméride de setembro que carrega um capítulo importante da cooperação internacional.

Como a data é celebrada ao redor do mundo

Além da cerimônia oficial em Nova York, o Dia Internacional da Paz é marcado por ações descentralizadas em dezenas de países: escolas promovem minutos de silêncio ao meio-dia, organizações não governamentais realizam caminhadas e concertos temáticos, e governos locais aproveitam a data para lançar campanhas de mediação de conflitos urbanos. Em anos de guerras ativas, a data também serve como janela simbólica de negociação — organizações humanitárias costumam usar o cessar-fogo simbólico do 21 de setembro para tentar viabilizar corredores de ajuda em regiões isoladas por conflitos, ainda que nem sempre com sucesso garantido. O contraste entre o gesto simbólico e a realidade de conflitos em curso é, aliás, um dos pontos mais debatidos entre analistas de relações internacionais toda vez que a data se aproxima.

Quando é o Dia Internacional da Paz?

A data é celebrada todos os anos em 21 de setembro, desde que foi instituída pela Assembleia Geral da ONU em 1981. Em 2001, ela passou a representar também um período formal de cessar-fogo e não violência em todo o mundo.

Por que existe um sino da paz na sede da ONU?

O Sino da Paz Japonês foi doado em 1954 pela Associação da ONU do Japão e fundido com moedas e medalhas de mais de 60 países. Ele é tocado apenas duas vezes por ano, sendo uma delas na cerimônia oficial do Dia Internacional da Paz, em 21 de setembro.

Existe algum sino da paz no Brasil?

Sim. Frei Rogério, cidade de Santa Catarina, abriga um dos únicos três sinos da paz do mundo com a mesma origem simbólica dos exemplares de Nova York e Hiroshima. A peça sobreviveu ao bombardeio atômico de Nagasaki, em 1945, e foi doada pelo Japão à colônia japonesa local em reconhecimento aos laços históricos entre as duas comunidades.

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