Wide realistic space photograph of a fresh, sharp-edged impact crater on the Moon's gray cratered surface, dramatic side…
Curiosidades

Nova Cratera na Lua Intriga a NASA: Impacto Raro que só Ocorre a Cada Século

18/09/2026 3 views 6 min de leitura

Uma nova cratera na Lua chamou a atenção de cientistas da NASA justamente por sua raridade: segundo os pesquisadores, um impacto desse tamanho só deveria acontecer, em média, uma vez a cada século — ou até com menor frequência. A descoberta foi anunciada pela NASA em 16 de setembro de 2026 e mostra como a superfície lunar, aparentemente imutável, continua registrando eventos violentos em tempo real.

Ilustração de cratera de impacto recente na superfície da Lua

A cratera recebeu o nome informal de McGetchin, em homenagem ao cientista planetário Tom McGetchin, e foi localizada por meio de imagens do Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), sonda da NASA que orbita a Lua desde 2009 e fotografa sistematicamente sua superfície havia mais de uma década.

Como a nova cratera na Lua foi descoberta

A identificação não veio de uma varredura especial, mas de uma verificação rotineira de qualidade de dados. Robert Wagner, especialista em processamento de imagens da empresa Intuitive Machines que colabora com a missão LRO, notou a mudança em 24 de outubro de 2025 ao usar um software que compara fotografias antigas e recentes da superfície lunar, destacando áreas que ficaram mais claras ou mais escuras entre uma captura e outra.

Ao cruzar o registro, a equipe conseguiu restringir a janela do impacto a um período específico: entre 11 de abril e 22 de maio de 2024. Ou seja, a cratera existe há cerca de dois anos, mas só foi confirmada agora, quase um ano depois de ser notada pela primeira vez nas imagens.

O tamanho e a origem do impacto

Segundo o material divulgado pela NASA, a cratera tem cerca de 222 metros de largura — o equivalente a dois campos de futebol lado a lado — e 43 metros de profundidade. Blocos de rocha lançados pela colisão foram encontrados a boa distância da cratera, o maior deles medindo por volta de 13 metros.

Os cientistas estimam que o objeto responsável pelo impacto tinha o tamanho aproximado de um prédio de três a seis andares — provavelmente um pequeno asteroide ou cometa que atingiu a superfície lunar em alta velocidade, já que a Lua não tem atmosfera para desacelerar ou desintegrar corpos que se aproximam, ao contrário do que acontece na Terra.

Por que um impacto assim é considerado raro

O que torna essa cratera especial não é só o tamanho, mas a estatística por trás dela. Modelos de frequência de impactos indicam que uma colisão dessa magnitude deveria ocorrer, em qualquer ponto específico da superfície lunar, a cada 139 anos aproximadamente. Antes dessa descoberta, a maior cratera nova registrada durante toda a missão do LRO tinha cerca de 70 metros de diâmetro — o que faz da cratera McGetchin um evento mais de três vezes maior que qualquer coisa vista pela sonda desde que começou a monitorar a Lua.

Esse tipo de achado reforça algo que costuma escapar do senso comum: a Lua não é um corpo geologicamente morto e sem eventos recentes. Pelo contrário, sua superfície está sendo bombardeada constantemente por pequenos impactos, e de tempos em tempos um deles é grande o suficiente para deixar uma marca que os cientistas conseguem detectar e datar com boa precisão.

O que a descoberta significa para a exploração lunar

Documentar impactos recentes como esse tem valor prático além da curiosidade científica. Serve para calibrar os modelos que estimam o risco de impacto em determinadas regiões da Lua — informação relevante para o planejamento de futuras missões com astronautas na superfície, como o programa Artemis, que pretende devolver seres humanos ao solo lunar depois de mais de cinco décadas. Já escrevi neste espaço sobre os detalhes da missão Artemis 2 e sobre como ela marca o retorno de tripulações humanas às proximidades lunares.

Quanto mais dados os cientistas reúnem sobre a frequência e a distribuição desses impactos, mais seguro fica planejar onde instalar bases, equipamentos e rotas de deslocamento na superfície — já que um evento do porte da cratera McGetchin, se acontecesse perto de uma instalação humana, teria potencial destrutivo relevante.

O papel do Lunar Reconnaissance Orbiter

O LRO já está em operação havia mais de 16 anos e acumulou um dos maiores arquivos de imagens de alta resolução já produzidos sobre outro corpo celeste. É justamente esse acervo extenso que permite comparações como a que revelou a cratera McGetchin: sem um “antes” fotografado em detalhe, não haveria como confirmar quando e como a mudança na superfície aconteceu. O instrumento térmico da sonda, chamado Diviner, também ajudou a caracterizar a temperatura da área afetada, um dado que auxilia a confirmar a idade recente do impacto, já que material exposto recentemente ainda retém assinaturas térmicas diferentes do solo ao redor.

A descoberta foi apresentada formalmente à comunidade científica durante a 57ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária, em março, mas ganhou repercussão mais ampla agora, com a divulgação pela NASA e pela imprensa especializada internacional.

FAQ sobre a nova cratera na Lua

Quando o impacto que criou a cratera aconteceu?

Os cientistas restringiram a data a uma janela entre 11 de abril e 22 de maio de 2024, com base na comparação de imagens do LRO antes e depois desse período.

Por que só descobriram a cratera tanto tempo depois?

A cratera foi notada em outubro de 2025 durante uma checagem de rotina das imagens do LRO, e levou quase um ano de análise adicional até a confirmação e o anúncio oficial em setembro de 2026.

Esse tipo de impacto representa risco para futuras missões à Lua?

O risco de um impacto desse porte atingir uma área específica é estatisticamente baixo — esse tipo de evento acontece cerca de uma vez a cada 139 anos por região —, mas os dados ajudam a NASA a refinar os modelos de segurança usados no planejamento de missões tripuladas, como o programa Artemis.

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